Resenha: Segredos de Sangue

Por Juan G.B.

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O mais novo filme do melhor diretor da atualidade (na minha opinião) Chan Wook Park.

Esse cara merece uma salva de palmas por cada take dos seus filmes. Ver seus filmes é certeza de que uma profusão de emoções e loucuras invadirão a sua mente. Para quem não se localizou ainda, esse sujeito é o responsável pela famosa ‘Trilogia da Vingança”, que é composta pelos filmes “Simpathy for Mr. Vengeance”, “Simpathy for Lady Vengeance” (o melhor de todos) e “Oldboy” (o mais famoso de todos que, seguindo a onda ‘criativa’ dos americanos, está sendo produzido seu remake hollywoodiano pelo Spike Lee). Fora esses ele também fez os igualmente belos “Sede de Sangue” (um filme vampiresco como nunca se viu antes), “Eu sou um ciborgue, mas tá tudo bem”, Joint Security Area, entre outros.

Em Stoker (Segredos de Sangue, seu nome no Brasil) pela primeira vez temos a oportunidade de ver Chan Wook Park trabalhando num filme produzido em inglês e com atores que já estamos mais habituados a ver. Nicole Kidman (nada jovem), Mia Wasikowska (atriz peculiar que cisma em fazer filmes bons) e Matthew Goode (quem se importa?!) são alguns dos que integram o seu elenco.

O filme conta a história de uma excêntrica adolescente, India Stoker, que mora com a mãe e recebe a visita de um tio distante e enigmático, que retorna à família após a morte do pai da garota. Além do natural receio de ver um diretor que tanto gosto fazendo um filme em Hollywood e a possível influencia externa que ele poderia sofrer, um outro ponto levou a minha cabeça a explodir. O roteirista do filme. Foi um susto quando notei que o roteirista era o ator Wentworth Miller, o Michael Scofield de Prison Break. Por isso pesquisei e achei umas coisas bem legais sobre a produção desse roteiro. Algumas coisas até consegui pegar mesmo antes de pesquisar, como por exemplo o nome Stoker, clara referencia ao autor Bram Stoker, criador do Drácula. O que por incrível que pareça também tem relação com o nome do filme no Brasil, Segredos de Sangue. E não, o filme não tem nada de vampiro, que fique claro. Em uma entrevista o roteirista/ator disse “Não é uma história sobre vampiros. Nunca foi nossa intenção falar sobre os vampiros, mas é uma história de terror. É como um fogo vivo que é atiçado, e que também se liga muito bem com a narrativa”.

Chan Wook Park traz a maestria fotográfica de sempre de seus filmes anteriores e mostra a importância desse fator em seus projetos usando seu próprio diretor de fotografia. Porém, em Stoker, um acréscimo sonoro que nunca antes eu tinha reparado em suas obras, dá as caras. A trilha sonora do filme nos transporta no tempo e nos põe dentro de um teatro acompanhando uma opera daquelas antigas e cheias de encenações. A trilha é de autoria do Clint Mansel, o mesmo responsável pela trilha do filme “Requiém para um Sonho”.Ou seja, sensacional. 

Um roteiro simples e delicado nos traz uma história de psicopatia sem precedentes.
Após assisti-lo uma sensação estranha me ocorreu, uma sensação semelhante a que tive após ver “A pele que habito”, do Almodóvar. Tinha acabado de ver uma obra de arte, acho que era isso. 

O filme é tratado pela crítica como “um conto de fadas gótico” e classificado como “perturbadoramente bom”. 

A obra inteira é uma aula de como deixar de fazer filme e fazer cinema de verdade.

 

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Publicado em junho 13, 2013, em Resenhas. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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